"Porque choras, moça Gabriela?
Porque estás triste?
Quando assim, olhe pela janela
E diga-me o que vistes?
Mares distantes, ondas sublimes,
Céu azul, nuvens de algodão,
Pássaros contra o vento, voando firmes.
Firmes como deve ser nosso coração."
"Olhei pela janela e vi um moço lindo que passava...
Chegou até mim e enxugou minhas lágrimas com um beijo..."
"Não chores moça Gabriela!"
Disse o homem na janela:
"Não vês que o mundo é belo?
Que sem você seria um mero
Acidente da natureza
E não haveria certeza,
Apenas tristeza?
Não chores, moça Gabriela."
A moça Gabriela respondeu:
"Nem sempre o mundo é belo moço...
Às vezes é cheio de incertezas e dores.
Dores que rasgam nossa alma...
Dores que às vezes achamos não suportar."
Ao que o rapaz retrucou:
"A alma é frágil e sente dor,
Mas a dor não a rasga facilmente:
Ela rejuvenesce docemente,
Basta uma pequena dose de amor.
Se ama, ela restaura
em toda a grandeza a sua aura.
Mas deve-se cuidar
Para o amor, obsessão não virar."
Gabriela parou de chorar.
E com o moço começou a conversar:
"Moço, o amor não virou obsessão, ainda é uma fantasia...
Uma fantasia mágica!! Fantasia essa que me transporta para onde quero ir...
Algo irreal, e não tão real como tu."
Então o jovem gargalhou,
parou por um segundo e falou:
"Irreal, você diz?
Uma fantasia que te transporta
Onde a moça deseja ir?
Se ela te transporta até lá
Então, irreal não é, basta sonhá-la.
Se sentires onde quer estar,
Verdadeiro o sonho irá se tornar!"
Gabriela sem graça com a gargalhada do moço respondeu:
"Talvez não seja irreal!
Talvez sonho seja.
E dizem que os sonhos, reais podem se tornar.
Mas moço... e quando o sonho é proibido de sonhar?"
Perguntou-lhe uma Gabriela cabisbaixa.
"Quando proibido de sonhar?"
O rapaz pôs-se a pensar...
Não esperava por essa questão,
Mas não podia deixá-la em vão:
"Um sonho proibido é belo,
É apenas um pensamento distante.
Não deve ser levado a sério,
Mas não pense que é irrelevante.
Um paradoxo belo e triste
Mas que a alma causá-lo insiste
Esta alma que é frágil, dolorida,
e que, por ser mimada, sente-se sofrida.
Basta aceitá-lo apenas, o sonho,
Que ele se torna um sonho bom!
Ignore o rasgo na alma, é bobo!
Até dê um colorido, um tom,
Pois assim ele não será proibido,
Mas pense nisso, que é sabido:
Cuidado para não se deixar levar
Pelas idéias do sonho agora lindo
Para em seus ardis não se enredar
Pois o que era quente passa a frio
E dificilmente irá se recuperar...
Mas isso, há de se contornar..."
Agora foi Gabriela que se pôs a pensar...
"Não é que o moço tinha razão?
O rasgo na alma não era real!
Um colorido ia botar,
E pela alma começar!
'Nada de pensamentos tristes!' "
Gabriela sorriu e começou a pensar.
"A partir de agora seria uma moça diferente,
Nada de amores irreais,
Iria colorir sua alma com amores reais."
A moça triste da janela não existia mais,
Agora uma moça sorridente
olhava para o moço, que tão sabiamente a animara.
Gabriela tascou um beijo em seu rosto, inocentemente
E o rapaz ficou feliz em vê-la contente!
O jovem enrubesceu
E por um minuto emudeceu...
Não esperava tamanha gratidão,
Pois era um desconhecido até então!
Após o minuto passado, soltou uma interrogação
Que a deixou perplexa e com uma exclamação:
"Tu és, com a luz do sol, tão bela
Porque estás atrás da janela?
Venha caminhar comigo à praia, pois
Vale mais que um monólogo uma conversa a dois!"
Os novos amigos se puseram a caminhar
Cada qual se pôs a sonhar...
O que aconteceu com os dois depois
Apenas quem sabe é o mar...
Poema construído em conjunto: agradeço a uma inspiração de cabelos prateados, por ter me ajudado a escrever tal texto (algumas partes são dela ^_^)...
Há tempos vinha tentando escrever algo que significasse algo...
Muitíssimo obrigado, musa de cabelos prateados...!!
domingo, 9 de setembro de 2007
Conversa na Janela entre o Moço e Gabriela
às 1:48 AM
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2 comentários:
Ficou muito bom mesmo!! rs
Espero que todos gostem...
O próximo que escrevermos ficará melhor...Eu aprendo rápido...rs
Beijos!!
essas palavras complicadas me fazem parecer um idiota ahahahahaah
haja criatividade meu amigo bardo...
haja criatividade
abraços
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