quinta-feira, 27 de outubro de 2011

um anjo...

Olhei para o céu e perguntei à Lua
Se existe alguém, de fato, feliz
Ela disse: "mas... por que tanta amargura?
arranca esse mal pela raiz!"

"Não existe felicidade plena
em nenhuma criatura terrena
o que se pode é estar confortável
perto de alguém amável..."

A Lua continuou falando
mas não prestava mais atenção
esse momento foi quando
meu juizo se foi e ficou o coração!

Ao ver um enviado do paraíso
descer até o chão e vir até mim
dizendo: "Tu tens um compromisso!
E deve cumpri-lo pois Ele diz assim!"
Nessa Terra há um anjo caído
E deve cuidá-lo para que não tenha um triste fim!"

Enquanto falava, mostrava
atrás dele um anjo sem asa...
Estava cabisbaixa, encabulada,
Pois estava longe de sua morada.

E assim segui meu propósito
de cuidar desse anjo
E, um dia, eu aposto!
Ele virará meu Arcanjo!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Loucura

Cores vibrantes se entrelaçam!!
Formam sons!!
Psicodélico, tântrico, profundo...

Sons de gritos, sons de cítaras...
Gemidos e juras por toda a vida...

Não se sabe mais quantos corpos estão presentes.
Se somente dois, se muitos, ou apenas um...
Um corpo cuja mente divaga... distante...
Em outros mundos, sonhos, pesadelos...

No dia seguinte havia apenas cinzas...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sentinela

Do alto de sua torre de marfim
Ela avista o horizonte em busca de um sinal...
Mas vê apenas montanhas, florestas, rios...
Sua vida seria sempre assim?
Construira a torre para defender-se do mal
Num lugar tão distante dos olhos alheios...

Um som a acorda da tristeza,
Asas ou vento, não saberia dizer,
Subiu ao pátio superior para ter certeza.
Era ele, que já estava a descer
De sua criatura mítica feita de ar
Arguindo-lhe se a ele iria ajudar.

Manteve a serenidade de sempre,
Levantou seu rosto angelical em direção ao dele.
Respondeu de maneira sorridente
Que onde quer que ele esteja, ela também estará.

Era para isso que ela se preparara
Por todo esse tempo em solidão.
Descobrira que, oposto do que pensava até então,
Seu propósito na frente dela estava.
Não devia se proteger do mal do mundo,
Deveria proteger o mundo do mal.

domingo, 8 de maio de 2011

Lua Crescente

A Lua Crescente sorria de satisfação,
Ao assistir aquela ode à Paixão.
Duas almas perdidas que encontraram
Uma à outra, e logo se beijaram,
Sem esperar consentimento de ninguém,
Como se a voz viesse do além
Para dizer que o que deviam fazer
Era esquecer...
Então as almas perdidas dançaram
Uma dança única, enfeitiçados pelo fogo da lareira,
Pela Champagne com sua espuma,
Mas, especialmente, pela vontade arteira
Que vinha daquela noite, da Lua...

domingo, 27 de março de 2011

Erros

O ser humano erra.

Mas por que ele erra?

Será que é para descobrir coisas?
Ou será por ignorância?

Veja que as duas razões não precisam estar sempre juntas.
Um ignorante pode errar e ainda não descobrir nada com isso.

Será que é por arrogância? Por simples má vontade de seguir o bom senso? Só pelo fato de outros lhe terem dito o que é certo fazer?
Ou ainda... ou ainda... por covardia???

Talvez seja a razão pela qual a maior parte dos erros acontecem...

Covardia.

Não conseguir enfrentar algo de frente... tentar encontrar um desvio... um subterfúgio...

Acho que é isso...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Clichê da Distância

Fecho os olhos e o que me vem é seu sorriso.

Largo, brilhante, alegre, empolgante.
Respiro fundo e sinto seu cheiro.
Que inebria, envolve, fascina.
Enlouquece,
Vicia.

Minha mente voa.
Sinto seu corpo contra o meu.
Quente, Aconchegante. Apaixonante.
O abraço que tanto espero sentir.
Desde aquele dia...
Ansiedade.
Vontade.
Desejo.
Saudade.

Seu gosto me vem à boca.
Só de pensar em seus beijos, seus laceios...
Ai de mim que te aguarda
Por longo tempo para matar meus anseios...
Poder alcançar minha amada
Com meus braços também,
E não somente com minha alma.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Conto de um casal esquecido.

Ele acorda com o som das ondas se quebrando.

Por um minuto permanece de olhos fechados,
Torcendo para descobrir que não estava sonhando.

O amor o faz perceber sons escondidos...
Ou seria o fato de estar de olhos fechados, ele não sabe.
As gaivotas conversando no céu,
As folhas das palmeiras lambidas pela brisa matinal.

Relembra, ainda sentado na areia, a noite anterior
Onde sua consorte surgiu e mostrou-lhe o amor.
Olhou ao redor e não havia sinal de alma viva.
Sozinho, tenta lembrar de sua diva.

Mas não recorda-se de seu rosto.
Vem em sua mente somente o gosto
De seu beijo que ainda lhe parece eterno
De suas mãos, labaredas do mais quente inferno.

Ah! O calor de suas memórias lhe fazem suar,
Resolve, então, o agora desperto mergulhar.
As águas cristalinas daquela baía teria sido o local perfeito:
Ali, naquela praia, Eros havia sido certeiro!

A única razão de seu sorriso sumir
Seria a verdade, que nunca viria a descobrir:
Não há mais ninguém ali, é fato.
Nem ele mais, é abstrato.
Ele existiu, em outra época, e permaneceu...
Anos nesta ilha viveu, e depois pereceu.
Por conta de um naufrágio numa tempestade.
Sua amada depois de tempos sem saber a verdade,
Se acabou de chorar em saudade.
Até o dia em que decidiu se encontrar com o amado,
E passar todas as noites a seu lado.

O belo casal, a partir de então,
Vive sua história toda noite.
E eles não passam em vão.
Enquanto tiver quem conte

Sua história,
Sua dor,
Sua sina,
Seu amor.